Língua Afiada
   ÀS MULHERES AFRICANAS

Pobres mulheres africanas,/ que têm o seu prazer cortado de gilete/ e a entrada do seu universo costurada a seco./ Ouço daqui o seu gemido de dor!/ Choro junto consigo a amargura de não saber o que é um orgasmo./ Seus donos – é assim que seus homens se consideram –/ querem sentir sozinhos o que foi feito pra dois./ Pobres belas-damas-negras!/ Mutiladas no seu direito de ser mulher,/ passam a existir apenas como um grito abafado/ na aridez da África./ E em seus sonhos procuram, perdidos nas/ areias caudalosas do continente negro,/ seus clitóris e as “giletes” que os extraíram/ para guardar a lembrança mórbida/ do último dia em que foram, de fato, fêmeas completas./ Que esse pesadelo chegue ao fim um dia!/ E que, pelo menos às suas filhas e netas,/ seja dado o direito de ser completamente mulher.

 Escrito por Luiz Valério às 18h53
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   SOLIDÃO

O céu com semblante nebuloso/ Chora gotas frias na imensidão/ E os pingos que vêm do alto/ Molham meu rosto, que espia da janela/ Há dias que chove e não saio do quarto/ Tenho medo de me desmanchar/ Sou feito de açúcar/ Nessa vida sem sal/ Porém, não sou doce, nem sou dócil/ Só não quero contato/ Com esse mundo animal/ Prefiro minha jaula,/ Meu quarto de grades/ Hoje só quero a solidão/ Aqui está mais confortável/ Que qualquer lugar lá fora/ A frieza dos edifícios de concreto me apavora/ Sou feito de açúcar, tenho medo da chuva/ De me desmanchar/ Não quero saber/ O que está acontecendo, só quero beber/ Esse doce veneno na escuridão/ Não quero sair desse quarto-cela/ Daqui de dentro eu sinto/ O vento que passa/ Com cheiro de morte/ Ele sopra do norte/ Lambendo o corpo da cidade nua/ Sou feito de açúcar/ E não quero contato/ Com esse mundo sem sal/ Acho que estou mal/ Pelo que não me fizeram/ Acho que estou mal/ Não quero conversa/ Até logo e tchau!

 Escrito por Luiz Valério às 18h49
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   APATIA

O povo.../ O que é o povo/ Nesse mundo novo/ Feito de dinheiro?/ O povo.../ Pra que serve o povo,/ Nesses tempos loucos/ Tecnologicamente perfeitos?/ O novo.../ O que é o novo/ Sem a mão do povo/ Para validá-lo?/ O povo.../ Onde está o povo/ Que não grita forte/ Pela liberdade?/ O ovo.../ Onde está o ovo,/ Além do prato ralo/ Desse pobre povo?/ De novo/ Onde está povo,/ Que não se insurge/ Contra esse acinte,/ Essa estupidez, que é ignorá-lo?/ O povo.../ Vamos lá, meu povo./ Solte a sua voz!/ Crie a sua vez!/ Vamos lá, meu povo/ Refazer de novo/ Esse mundo louco/ Que não satisfaz.

 Escrito por Luiz Valério às 18h44
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