Língua Afiada
   CLIMA DE EXPECTATIVA

 

Já é noite em Boa Vista (RR). No ar um quê de expectativa em relação à possibilidade de cassação do mandato do governador Flamarion Portela, eleito pelo PSL e filiado posteriormente ao PT, do presidente operário Luiz Inácio Lula da Silva. Como não poderia deixar de ser numa questão desse tipo, as opiniões se dividem entre os que torcem pela queda do governador roraimense e os que esperam a sua manutenção no cargo. Não dá para bancar o inocente e dizer que Flamarion Portela não cometeu algumas irregularidades durante a campanha. Que cometeu, cometeu. Por exemplo: anistiou mutuários devedores da casa própria, concedeu aumento para policiais, distribuiu vales-alimentação em período de campanha... Se bem que essa é uma situação meio dúbia. Afinal ele era, ao mesmo tempo, candidato ao Governo do Estado e governador, já que, na qualidade de vice, completava o mandado Neudo Campos, que havia se licenciado para disputar uma vaga no Senado. Mas entre Flamarion e Ottomar Pinto, que almeja substituí-lo no poder, prefiro o meu conterrâneo cearense de Coreaú. Não pelo simples fato de ser ele cearense como eu. Não se trata de bairrismo.  É, em primeiro lugar, porque as histórias do tempo em que O brigadeiro governava o Estado não são as mais animadoras. Era coronel e agia como tal. Tem até o caso de um vereador que comeu o pão que o diabo amassou nas mãos de capachos do brigadeiro, mas essa já é outra história. O certo é que há um clima meio pesado no ar. 

Será que como disse o poetinha Cazuza na letra da música "O tempo não pára", “o futuro” vai “repetir o passado” no campo político do Estado mais setentrional do Brasil. Na minha modesta opinião, será um retrocesso sem tamanho. Chega de coronelismo. Também não pensem que sou um defensor de Flamarion Portela. É que entre um ruim e um muito ruim o primeiro é sempre a melhor escolha. O que faz com que muita gente torça pela queda de Flamarion é o fato de ele ter adotado medidas impopulares, mas necessárias, como a demissão dos muitos funcionários não concursados, contratados exatamente na época em que o Estado era governado por Ottomar Pinto e, depois, por Neudo Campos. Outro ponto que culminou com a sua impopularidade foi a realização de concursos públicos o que, aliás, é uma determinação da Constituição Federal. Diz a Carta Magna que qualquer servidor público só pode ser contratado mediante a realização de concurso público. Mas, como aqui em Roraima criou-se a cultura do empreguismo e do apadrinhamento, ou seja, contratação por QI (quem indique), medidas como as adotadas por Portela passam a ser um motivo quase para condenação ao inferno. E é exatamente esse inferno astral que o governador de Roraima está passando agora.

Agora é a guardar para ver o que o STJ (Supremo Tribunal de Justiça) vai decidir: se mantém Portela no cargo para o qual foi eleito ou se dá ganho de causa ao brigadeiro Ottomar Pinto. Nas próximas horas deve sair uma decisão. O resultado comentaremos aqui posteriormente. 

 



 Escrito por Luiz Valério às 22h00
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   "UM ANO SEM FUGA. OBA!"

Fugas e rebeliões em cadeias públicas e penitenciárias do Brasil se tornaram acontecimentos normais. Anormal, mesmo, é passarem insignificantes 365 dias sem que haja uma fuga ou motim de presos nessas casas de detenção. Tanto é assim que, ontem, a direção da Cadeia Pública de Boa Vista resolveu fazer uma festança para comemorar um ano sem fugas ou rebeliões naquele presídio. Conforme informação do diretor da cadeia, a última rebelião aconteceu no dia 13 de junho de 2003 e a última fuga em julho daquele ano. É curioso ver como as coisas nesse nosso país de contos de fadas às avessas têm seus valores invertidos. A regra torna-se exceção e vice-versa. Como se pode promover uma churrascada para os detentos pelo fato de eles terem decidido ficar quietinhos (?) em seus lugares, dando tranquilidade à direção do presídio por pelo menos um ano. É como se estivesse sendo dito mais ou menos assim: “ei pessoal, obrigado pela colaboração. Como presente pelo bom comportamento, vai aí uma festinha de presente para vocês”. Essa inversão de valores, onde a não-fuga de presidiários é comemorada, se dá em decorrência do modelo falido do sistema prisional brasileiro, que é completamente injusto e ineficaz. Cadeias abarrotadas de presos, tratamento desumano e, em muitos casos, uma convivência promíscua entre agentes carcerários, que em algumas cadeias e penitenciárias país a fora fazem vista grossa para entrada de objetos e produtos proibidos, que acabam chegando aos presos. Pelo menos é isso que tem sido exaustivamente noticiado e denunciado pelos meios de comunicação. No nosso país as coisas andam tão complicadas que cada vez mais abundam situações patéticas, como essa de se comemorar um ano sem fuga numa penitenciária. Isso soa quase como um atestado de incompetência das autoridades responsáveis pela guarda dos detentos e do poder público, que insiste em não rever o falido sistema penitenciário brasileiro há muito carente de mudança e humanização. Por outro lado, há que se criticar a falta de investimento em educação por parte do poder central do Brasil. Se fossem injetados recursos suficientes na educação de crianças e jovens, além de feita uma distribuição de renda mais justa nesse nosso país, certamente teríamos muito menos delinqüentes e criminosos atrás das grades arquitetando fugas, massacres de colegas de celas e rebeliões ou, quando não, coordenando o crime organizado e o tráfico de drogas de dentro dos próprios presídios. Toda essa é uma situação a ser refletida. É preciso que se tome um pouco mais de consciência da realidade para evitar o tratamento jocoso que sempre é dado ao Estado de Roraima por aí a fora. Essa mania de estar comemorando fatos como a ausência de fuga em cadeia pública denota, repito, uma idéia de incompetência por parte de quem é responsável pela guarda de presos. O normal e a regra deveria ser deveria ser o bom funcionamento do sistema de segurança dentro do presídio e não o contrário. Mas, infelizmente, quando isso acontece, se transforma numa exceção a ser festejada. A que ponto chegamos neste nosso Brasil. PS: Tomara que chegue o dia em que possamos comemorar o fato de podermos viver numa sociedade mais justa e igualitária, em que os índices de violência possam ser reduzidos a quase zero e não precisemos mais de muros e grades. Esse desejo é meio utópico (principalmente depois de vermos um presidente operário se render aos (des)encantos do capital financeiro internacional e deixar os brasileiros cada vez mais mergulhados na desesperança e na miséria crescente.

 Escrito por Luiz Valério às 16h32
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