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Marcas do tempo
Feriado. Dia bom para estar deitado, não fosse o compromisso de encher uma página com letrinhas encadeadas de modo a fazer sentido, levando informação útil aos leitores. Afinal, o tempo não pára. E nesse momento de agitação que assola esta terra macuxi, então, não dá para descansar.
Mas enquanto o mundo externo está agitado por questões políticas, o meu mundo interior vive em descompasso por questões particulares. Roraima me deu um monte de coisas boas: amores, trabalho e muitos problemas, sem os quais a gente parece não saber viver.
Daqui a pouco tempo estarei completando três anos de vida nesta parte extrema do Brasil. Tempo suficiente para ter mudado a minha vida, os meus hábitos e muito do que eu era até a minha chegada. Descobri aqui um Brasil que o resto do Brasil desconhece, com tudo de bom e de ruim que se possa pensar.
Não sei até quando fico. De vez em quando o coração manda tomar outro rumo. Ir para outras paragens. Tomar banho em outras águas. Viver, enfim. Mas, por enquanto ainda estou aqui. Procurando meus pedaços que têm ficado em cada rua, em cada lugar por que tenho passado desde que aqui pus os pés.
Para mim o tempo parece estar passando mais rápido que para os meus iguais. As marcas deixadas pelo seu passar estão ficando impressas mais no meu espírito que na minha face. São profundas. Mas só não as tem quem não vive. Este é o meu consolo.
Escrito por Luiz Valério às 15h37
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